terça-feira, 8 de janeiro de 2013

"MOTE: SÃO FRIOS, SÃO GLACIAIS/OS VENTOS DA SOLIDÃO" "



ESTE FOI UM MOTE QUE RECEBI DO GRANDE AMIGO CARLOS LINHARES DA CIDADE DE PILÕES-RN.
ESTE MOTE FOI DADO AO POETA ZÉ VICENTE DA PARAÍBA, COMO EU ACHEI O MOTE MUITO INTERESSANTE, EU ENTÃO RESOLVI ESCREVER ESSES ESTROFES E MANDÁ-LOS PARA A SUA APROVAÇÃO OU NÃO.
  
Nota-se uma diferença
Quando o vento é de tristeza
Esse vento é sem frieza
E nunca trás esperança
Ele nos trás a lembrança
E muita recordação
Mesmo sem ser um tufão
Desmoronou o meu cais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Passou varrendo a infância
Do meu tempo de menino
Esse vento sem destino
Mostrou bastante arrogância
Um vento sem tolerância
Jogou-me na escravidão
Fez de mim um ancião
Sem meus dias joviais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Esse vento não é brisa
Que suavemente passa
E soprou achando graça
Tirando a minha camisa
Beijou minha face lisa
Depois me pediu perdão
Soprou noutra direção
Sem atender os meus ais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Esse vento é sem carinho
E não quis me fazer afeto
Soprou um tanto discreto
Depois me deixou sozinho
Entre a flor nasceu espinho
Que me trouxe a aflição
Deixou-me sem solução
Para os meus dias finais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Esse vento vem do mar
Soprando através dos trópicos
Com seus efeitos hipnóticos
Procurando enfeitiçar
Nunca deixou de soprar
Mesmo sem ter direção
Só anda na contra mão
Das estradas vicinais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Esse vento que soprou
Também pintou meu cabelo
Mesmo eu fazendo um apelo
Ele não me escutou
A minha face enrugou
Tirou a minha visão
O meu guia é um bastão
Que sustentação me trás
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Eu sei que o vento faz bem
E sopra de todo canto
A brisa é um acalanto
Que do horizonte vem
No infinito ela tem
A sua preservação
Prá fazer a viração
Somente o vento é capaz
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Na solidão que eu estou
Sei que o vento é meu parceiro
Por ser ele um pioneiro
Por onde ele passou
Ele foi quem dominou
Mais de uma geração
Nessa sua projeção
Eu sou um dos seus rivais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Deixou que o cisco caísse
Dentro da minha visão
E sem me ter compaixão
Deixou que eu me iludisse
Hoje eu vivo na mesmice
Sem poder ter diversão
Longe da minha paixão
Eu nem amar possa mais
São frios, são glaciais.
Os ventos da solidão

Antônio Martins-RN, 15/04/2010.
Escreveu: Davi Calisto Neto.














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